Ontem fui ao supermercado fazer as comprinhas básicas para
casa, porque essa vida de dona de casa não é nada fácil. Na saída fui surpreendida
por um menino pedindo umas moedinhas para comprar arroz, sou contra dar esmola,
pois essa não é a solução para os meninos e meninas que estão pelas ruas do
nosso país. Mas o olhar daquele menino me chamou atenção, dos altos dos seus 7
anos já era mais descolado, comunicativo do que eu com os meus 27. Como sou
contra dar dinheiro perguntei se poderia comprar o arroz e ele sem hesitar
aceitou e lá fui eu comprar o arroz, mas claro acabei comprando outras
coisas. Enquanto isso, conversamos, ele contou que mora com a tia e os primos e
que os pais estão presos. A tia não trabalha e eles vivem com as doações que
ele e os primos ganham.
Finalizamos as compras e foi cada um para o seu canto carregando
suas respectivas sacolas. No caminho até em casa bateu uma vontade de chorar ao
lembrar daquele menino e sua história. Não sei se é verídica, mas algo no seu
olhar me fez acreditar naquela criança tão pequena, mas ao mesmo tempo tão
grande na forma de agir e falar.
Confesso que o coração partiu. Deu vontade de levá-lo para
casa, dar um banho, fazer uma comidinha bem gostosa e colocá-lo para dormir. Fazê-lo
sentir o que é realmente ser uma criança de 7 anos que deveria só estudar,
brincar e ser amada.
Isso só fez aumentar o meu desejo de adotar. Tomara que um
dia consiga. Mas tomara mesmo é que não tenha mais crianças pelas ruas pedindo
arroz ou qualquer outra coisa, mas sim que todas estejam em seus lares sendo
cuidadas e amadas!